{"id":5269,"date":"2018-06-12T15:24:09","date_gmt":"2018-06-12T18:24:09","guid":{"rendered":"http:\/\/www.folhadocomercio.com.br\/folha-do-comercio\/?p=5269"},"modified":"2018-06-12T15:26:23","modified_gmt":"2018-06-12T18:26:23","slug":"promessas-inviaveis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.folhadocomercio.net.br\/?p=5269","title":{"rendered":"Promessas invi\u00e1veis"},"content":{"rendered":"<div class=\"bt_bb_wrapper\"><p><i>Jos\u00e9 Pio Martins<\/i><\/p>\n<div>\n<p>Nos pr\u00f3ximos seis meses, assistiremos a tr\u00eas eventos: bons jogos de futebol, repetitivas elei\u00e7\u00f5es e promessas invi\u00e1veis. Os primeiros, em fun\u00e7\u00e3o da Copa do Mundo, ser\u00e3o prazerosos. As segundas, em fun\u00e7\u00e3o dos pleitos nos estados e na Uni\u00e3o, ser\u00e3o cansativas. As terceiras, em fun\u00e7\u00e3o da cultura demag\u00f3gica vigente, ser\u00e3o incumpr\u00edveis. Qualquer um de n\u00f3s que queira fazer o bem tem de enfiar a m\u00e3o no bolso e gastar seu pr\u00f3prio dinheiro. J\u00e1 os pol\u00edticos t\u00eam o privil\u00e9gio de praticar um esporte delicioso: gastar o dinheiro dos outros. S\u00f3 que os \u201coutros\u201d somos n\u00f3s, todos os que produzem e pagam impostos.<\/p>\n<p>Roberto Campos ironizava dizendo que, no parlamento, temos um problema e uma sorte. O problema, dizia ele, \u00e9 que \u201ctodos os que chegam aqui querem fazer alguma coisa\u201d. A sorte \u00e9 que \u201ca maioria n\u00e3o conseguir\u00e1 fazer o que promete\u201d. Sinto arrepios quando um pol\u00edtico come\u00e7a a prometer um monte de coisas ao povo, pois a mais elementar li\u00e7\u00e3o da economia \u00e9 que o governo n\u00e3o d\u00e1 nada \u00e0 sociedade que antes dela n\u00e3o tenha tirado. Quando tenta dar ao povo o que n\u00e3o tirou em forma de tributos, o governo ou emite moeda (que cria a trag\u00e9dia da infla\u00e7\u00e3o) ou faz d\u00edvida (que eleva os juros e reduz o crescimento econ\u00f4mico).<\/p>\n<p>O Brasil produziu R$ 6,53 trilh\u00f5es no ano de 2017. Esse \u00e9 o produto interno bruto (PIB), que \u00e9 igual \u00e0 renda nacional. Mais de um ter\u00e7o foi entregue ao governo em tributos, nos tr\u00eas n\u00edveis, algo em torno de R$ 2,2 trilh\u00f5es. Mesmo com essa montanha de dinheiro, o governo gastou R$ 110,6 bilh\u00f5es a mais do que arrecadou, que \u00e9 o d\u00e9ficit prim\u00e1rio antes de contar os juros da d\u00edvida p\u00fablica. Como o governo vem gastando mais do que arrecada h\u00e1 d\u00e9cadas, a d\u00edvida p\u00fablica j\u00e1 chegou a 74,3% do PIB, e vai custar mais de R$ 400 bilh\u00f5es de juros em 2018.<\/p>\n<p>Uma das causas do desemprego \u00e9 a d\u00edvida consolidada de todo o setor estatal. A sociedade como um todo \u2013 pessoas e empresas \u2013 deposita dinheiro nos bancos. E os bancos t\u00eam apenas tr\u00eas clientes: as pessoas, as empresas e o governo. Se o governo avidamente vai aos bancos pedir dinheiro emprestado, por meio de emiss\u00e3o de t\u00edtulos p\u00fablicos e outros empr\u00e9stimos, falta dinheiro para financiar as pessoas (consumidores) e as empresas. E com isso, o PIB n\u00e3o cresce, logo, n\u00e3o h\u00e1 cria\u00e7\u00e3o de empregos. Se voc\u00ea \u00e9 um desempregado, saiba que os d\u00e9ficits do governo e a d\u00edvida p\u00fablica s\u00e3o os principais culpados.<\/p>\n<p>Algu\u00e9m pode perguntar: mas por que o governo tem tanto d\u00e9ficit e tanta d\u00edvida? Vamos lembrar de dois pontos. Um \u00e9 o aumento dos gastos com sal\u00e1rios e custeio dos servi\u00e7os p\u00fablicos e da m\u00e1quina administrativa nos 5.570 munic\u00edpios, 26 estados, Distrito Federal e Uni\u00e3o. Outro, em 2017, o d\u00e9ficit do INSS (previd\u00eancia dos trabalhadores do setor privado) mais o d\u00e9ficit da previd\u00eancia somente dos servidores federais deu um total de R$ 270 bilh\u00f5es, sendo R$ 180 bilh\u00f5es de d\u00e9ficit do INSS (para pagar 30 milh\u00f5es de beneficiados) e R$ 90 bilh\u00f5es de d\u00e9ficit (para pagar apenas um milh\u00e3o de servidores p\u00fablicos federais).<\/p>\n<p>O quadro de d\u00e9ficit e de d\u00edvida acumulada responde pelo baixo volume de investimentos em infraestrutura e pelo baixo crescimento da economia, logo, pela baixa renda per capita e pelo alto desemprego. Aumento de tributos \u00e9 algo contra o qual a sociedade deve se rebelar e n\u00e3o aceitar. Ent\u00e3o, governo bom ser\u00e1 aquele que conseguir consertar essa confus\u00e3o financeira e o estado de desequil\u00edbrio das contas p\u00fablicas, n\u00e3o aquele que prometer gastar mais. Novamente: o governo s\u00f3 d\u00e1 a Jo\u00e3o o que tirou de Pedro, Maria, Antonio e demais brasileiros. N\u00e3o h\u00e1 milagres. Quem diz que h\u00e1, \u00e9 apenas um demagogo.<\/p>\n<p>As elei\u00e7\u00f5es est\u00e3o pr\u00f3ximas. T\u00e3o logo termine a Copa do Mundo, entrar\u00e1 em cena a campanha eleitoral e a promessa de gastar o dinheiro dos outros. Caso tentem cumprir suas promessas, ter\u00e3o que enfiar a m\u00e3o no bolso do povo, a menos que fa\u00e7am promessas boas como reduzir o tamanho do governo, combater o desperd\u00edcio, aumentar a efici\u00eancia da administra\u00e7\u00e3o, reduzir a corrup\u00e7\u00e3o, adotar a austeridade, reformar a previd\u00eancia e liberar o esp\u00edrito de iniciativa dos que querem empreender.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><strong>FOTO Jos\u00e9 Pio Martins \u00e9 economista e reitor da Universidade Positivo.<\/strong><\/em><\/p>\n<\/div>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Pio Martins Nos pr\u00f3ximos seis meses, assistiremos a tr\u00eas eventos: bons jogos de futebol, repetitivas elei\u00e7\u00f5es e promessas invi\u00e1veis. Os primeiros, em fun\u00e7\u00e3o da Copa do Mundo, ser\u00e3o prazerosos. As segundas, em fun\u00e7\u00e3o dos pleitos nos estados e na Uni\u00e3o, ser\u00e3o cansativas. 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